segunda-feira, 19 de março de 2018

À exuberância da memória

Quando iniciamos o projeto "Memória Marataízes", há quatro anos, tínhamos a companhia de uma pequena ambição: reunir memórias, mesmo que esparsas, sobre nosso lugar. Conseguimos mais que isso. Aos poucos, mais pessoas foram chegando e compartilhando suas memórias entre si. Registramos algumas lembranças que corriam o risco de se perder. Tivemos a honra restabelecer contato entre velhos amigos com lembranças - algumas hilárias - em comum.

Em que pese o histórico descaso e a ignorância às vezes deliberada sobre aquilo que é "velho", "ultrapassado", não esmorecemos. Sabemos que o resgate, a preservação, a valorização e a divulgação dessas memórias são fundamentais para uma sociedade adoecida, cada vez mais desorientada em meio ao bombardeio pós-moderno e seu o apelo à velocidade e à novidade. O apelo àquilo que é efêmero e artificial tornou-se um concorrente desleal, um assassino de memórias.

Nesse sentido, ainda que aparentemente desconexas, as memórias têm um fio condutor que contribui para construir a identidade local. Por sua vez, manter a identidade, em nosso entender, é condição sem a qual não se pode falar em desenvolvimento sustentável.

Modestamente, assim tentamos cumprir a nossa função social, apesar de algumas dificuldades, que são naturais a um trabalho voluntário e sem qualquer tipo de financiamento (aliás, com algumas despesas). Somos um esforço, tímido, que também deseja lançar luz sobre a necessidade contínua de se fazer algo mais para a memória, a cultura e a história de Marataízes.

Entramos em nosso quinto ano de existência na confiança de que não estamos sozinhos. O carinho que percebemos nas memórias compartilhadas nos trazem essa certeza. A "Memória Marataízes" segue sua jornada.

sábado, 3 de março de 2018

Turcas

Uma imagem raríssima compartilhada por Marisa Gonçalves Mignone Paixão nos mostra o lazer de quatro mulheres dos anos quarenta em seu banho na Bacia das Turcas. Ao fundo, podemos ver a Igreja de Nossa Senhora da Penha.


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Volta às aulas

Amanhã, 15 de fevereiro, os alunos da Rede Municipal de Marataízes iniciam o ano letivo de 2018. 

A Memória Marataízes deseja a todos, estudantes e pais, professores e demais servidores da educação, um ano de muito sucesso e grandes conquistas! 

As imagens que ilustram o post mostra o então prefeito de Itapemirim, João Bechara, inaugurando alguma reforma no Grupo Escolar Maria da Glória Nunes Nemer, na rua Nestor Gomes, cuja estrutura ainda abriga um dos mais importantes educandários do município, em meados da década de 1970.


A entrega da obra mobilizou a comunidade escolar. Dezenas de crianças e professoras posaram ao lado do governante.

Os registros foram compartilhados por Renata Seyr, professora da EMEF Maria da Glória Nunes Nemer.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Bora!

Uma multidão se reúne para esperar o trio na Avenida Atlântica lá pelos idos dos anos noventa. O som que embalava a galera era a axé music de grande qualidade, fazendo um carnaval que uniu centenas de casais (separou outros, é verdade) e que deixou saudades em muita gente.


Registro de Junior Pereira. 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Memórias de família em Marataízes

As imagens a seguir são uma relíquia. Compartilhadas por Marco Vivacqua, o filme tem um pouco mais de 17 minutos de duração e registra, em cores, a Marataízes nos anos sessenta. Uma outra Marataízes, claro.

Ao assistir ao vídeo, mesmo para quem não viveu a época retratada, não é difícil compreender os motivos que provocaram e ainda provocam a paixão de muitos pela Praia Encantada. É possível sentir a paz do lugar em diversos momentos.

Vemos a família Vieira-Secchin-Vivacqua reunida. Crianças se divertindo com seus brinquedos de madeira, almoçando na varanda da - agora demolida - casa do sr. Átila Vivacqua e em animados banhos na Bacia das Turcas.

Logo em seu início, o filme mostra a Barra do Itapemirim e, do outro lado, a comunidade do Pontal, ainda com pouquíssimas casas. Em seguida, vemos uma rápida cena de carnaval. Também um outro carnaval, claro.

A antiga Igreja de Nossa Senhora da Penha, em sua forma original, merece um destaque especial. Posicionada estrategicamente de frente para a Praia Principal, ela recepciona maratimbas que regressam de mais um dia de trabalho enquanto guarda aquelas crianças que gastavam suas energias no mar. Chama a atenção, ainda, o famoso "vôlei" que existia na praça central.

Um paredão verde margeia toda a praia. Relativamente protegidas, as encostas - hoje temos de lembrança a "matinha" da avenida Domingos Martins - compunham o cenário junto das castanheiras.

Hábitos e costumes da época, como o comportamento geralmente envergonhado diante da câmera, os trajes de banho e, sobretudo, o convívio familiar dão o tom a este documento. Registros que nos fazem repensar os nossos dias e valores.

Desfrutem.


domingo, 10 de dezembro de 2017

No clima

É uma atmosfera única e muito especial. São cenas que todo ano se repetem, invariavelmente. As casas de veraneio ganham os últimos retoques para receber os visitantes. Empreendedores sazonais e aqueles que "seguram o rojão" durante a "baixa temporada" também dão uma mão de tinta nas paredes e checam o estoque para abrirem as portas. Apesar dos pesares, dessa nuvem densa e depressiva que paira há muito sobre o país, nossa gente se esforça para sorrir à espera dos dias quentes, coloridos e felizes do verão. É aquele frenesi que se aproxima. Carros, pessoas, sons e um marcante cheiro de protetor solar e milho cozido pelo ar.

Saudosistas de um tempo que tem cadeira cativa na memória, sabemos que certos lugares e até mesmo muitos costumes não voltam. Foram engolidos pela ambição desvairada ou mesmo por algumas ações desastrosas, em que pesem as boas intenções, mas também pelo monstro pós-moderno, esse mesmo que não se preocupa com a posteridade, cujos valores estão presos ao instantâneo. O que vale é o agora e nada mais. O instante seguinte, não sabemos. A memória sobre tudo isso, muito menos. Mas, somos teimosos. Românticos, diriam alguns. Bobos, iludidos, quem sabe. Tudo bem, insistimos porque uma convicção nos acompanha: não preservar a memória é o mesmo que não preservar nosso lugar, nossas origens e aquilo que nos faz bem. E quem é que, em sã consciência, quer se sentir mal?

Lembramos dos momentos que, de alguma forma, nos fazem bem. Nossa missão é provocar suspiros - alguns doídos -, sorrisos, lágrimas de saudades e vontade de viver em felicidade. Ainda lembramos daquilo que tem potencial para nos ensinar, provocando a reflexão de forma a evitar a ocorrência das citadas ações desastrosas. Mas lembramos também que podemos colocar o pé no freio e resistir ao monstro. Quando ele chegar com a urgência e a sua fome por velocidade, que pensemos em prosear, em gargalhar, em cultivar o tête à tête. Em ficar nas calçadas com boas companhias, madrugar ao som de um violão e curtir a brisa única do nosso lugar. Teremos, então, novas memórias. Memórias maravilhosas de uma Marataízes que, sim, a um novo modo, pode ser cada vez mais queridas por todos.


Essa turma aí, posando em um "buggy", entre algumas pranchas de surf, guarda lembranças mágicas desse verão de 1986. Não há dúvida disso. E essa imagem nos coloca no clima. Vamos fazer um verão de grandes memórias!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Marataízes em seus tempos de ouro

Essa é a Praia Central de Marataízes da década de 1970, que habita a memória de muitas pessoas e que, ainda hoje, provoca suspiros saudosos.

É possível ver o grande movimento de um dia ensolarado, provavelmente no verão, em frente ao Praia Hotel e boa parte da avenida Atlântica (do antigo "Chalé 70" em direção ao - também antigo - Xodó) sem pavimentação. Construções que hoje não fazem mais parte do cenário do local, pedestres, banhistas (muitos!), um típico maratimba e seu burrico carregando cestos de peixes (ou seriam verduras e frutas?), a restinga...

O riquíssimo achado reúne sete imagens e foi compartilhado na rede por Petter Meleipe. Convidamos a uma viagem pela nossa Pérola Capixaba. Desfrutem!